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Quinta-feira, Abril 28, 2005

KIT RETRô DA MULHER MODERNA

O Kit Basico da Mulher Moderna nasceu no dia 15 de outubro de 2002. Até julho de 2003 esse blog era uma grande brincadeira. Uma maneira divertida de uma mulher de 27 anos lidar com essa coisa louca que é ser mulher nos dias de hoje. Uma mulher separada, com um filho pequeno, uma carreira, alguns sonhos desfeitos e outros a realizar. Mas acima de tudo muitas dúvidas e alguma revolta pelos homens. Era mais um desses blog que a gente vê por aí de mulherzinhas que odeiam os homens. Mas a dor passou, eu amadureci e o Kit Básico também. Selecionei alguns trechos importantes na curta história do Kit que falam sobre a questão da mulher.


::: 13 de julho de 2003 - Publico pela primeira vez um texto que faz jus ao slogan do blog: histórias de mulher para mulher. Um papo pela internet que revelava muito de como eu me sentia naquele momento. Era um pedaço da minha história. Mas poderia ser a história de tantas outras mulheres:
"Porque eu, assim como a maioria das mulheres, vivo essa obrigação de ser mulher e moderna, mas no fundo sou uma romântica, que não sei me dar valor."


::: 11 de setembro de 2003 - Desabafo na TPM:
"Volta e meia alguém fica me questionando isso: o que é ser moderna? Eu não estou aqui pra dizer pra ninguém o que é ou não é ser moderna. Tento apenas fazer as mulheres perderem alguns minutos (ou ganharem) pensando de um jeito divertido sobre a sua própria realidade. Claro que cada mulher tem uma realidade diferente da outra. Mas são tantas histórias parecidas. A minha luta é pra tentar sobreviver nessa sociedade de consumo. Todos com seu carnezinho das Casas Bahia pagando a geladeira último modelo em 24 vezes. Não dá pra fazer crediário de pessoas mas temos visto uma liquidação ambulante de homens e mulheres. Não dá pra fechar os olhos pra isso. Essa cobrança que era invisível e agora além de visível é natural, vai nos enlouquecendo aos poucos. O desespero em busca da perfeição para poder ser aceita e para poder realizar seus sonhos é o pai de tragédias pessoais, dramas incontáveis na vida de inúmeras pessoas. E nós, mulheres, nos tornamos vítimas da nossa própria armadilha."


::: 31 de outubro de 2003 - Um recado para os homens:
"Na dúvida, vamos respeitar as mulheres. Vamos entender que o mundo mudou demais e que precisamos rever nossos conceitos. "


::: 12 de janeiro de 2004 - Um outro olhar sobre a história da Cinderela:
"E nesse processo de reavaliação de conceitos me transformei numa Cinderela, e passei a encarar a vida como uma noite mágica, um grande baile com pessoas lindas (principes, nobres), pessoas feias (madrasta, irmãs), momentos bons (dança, galanteios) e momentos ruins (hora de ir, perda do sapatinho de cristal). E paramos a historia por aqui. Porque realmente nao quero me preocupar com o dia seguinte da festa. Quero viver intensamente essa noite magica e curtir cada minuto até soarem as doze badaladas."


::: 27 de março de 2004 - Rafael Galvão escreve para o Kit basico o texto Mulheres Imperfeitas:
"Talvez, no fundo, elas saibam que nada disso importa tanto. Talvez saibam que é justamente isso que faz a sua beleza: elas são reais. São de verdade, parecem de verdade. Mulheres imperfeitas são possíveis."


::: 30 de abril de 2004 - O silêncio que precede o esporro:
"Tem horas que é melhor calar do que falar besteira ou falar demais. Eu sempre falei demais, muito mais do que devia. E até por isso, em alguns momentos, passei uma imagem para as pessoas um pouco diferente do que eu realmente sou. Se é que eu consigo definir quem eu sou. Mas com certeza posso definir quem eu não sou. E definitivamente preciso confessar que eu não sou uma mulher moderna. Ou será que sou? Talvez eu realmente não passe de uma menininha mimada metida à moderna.

Principalmente os homens associam essa expressão "mulher moderna" a uma mulher liberada. Aquela que sai com um homem diferente por noite, que é avassaladora. Uma galinha. ... Não me considero uma galinha muito menos uma vadia. Ser moderna pra mim sempre foi ser independente, ser forte para correr atrás dos meus objetivos, ser uma guerreira. E isso tem a ver com conquistas pessoais.

Uma criança mimada quer tudo, bate o pé e esperneia quando não consegue alguma coisa. Fiz isso inúmeras vezes na minha infância mas pelo visto na vida adulta tentei usar meu lado mimado para o bem. E é isso que me faz agir com toda determinação e até mesmo bater perna e espernear quando necessário. Essa é uma ótima maneira de me descrever no campo profissional.

Já no campo amoroso por mais que eu tente ser outra coisa não consigo deixar de ser uma menina romântica que quando sofre, senta e chora... Até que a mulher moderna aparece para salvar o dia. Não para sair em busca de novas conquistas mas apenas para fazer desta menina uma mulher forte. E não estou mais disposta a pagar qualquer preço para tentar ser feliz."

"A minha alma tá armada e apontada para a cara do sossego
Pois paz sem voz não é paz, é medo
Às vezes eu falo com a vida, às vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero conservar para tentar ser feliz"
(Trecho da música A Minha Alma, O Rappa)



::: 9 de maio de 2004 - Dia das mães e dia de contar uma história triste com um final feliz: Dia do Vitor


::: 27 de junho de 2004 - 4 x 1:
"Vida difícil essa de ser mulher, mãe, estudante e profissional. 4 x 1 não estava nos planos de nenhuma feminista, pelo visto. Dizem que a vida é feita de escolhas, pelo visto eu não sou muito boa nesse quesito, já que não escolhi, acumulei."


::: 22 de outubro de 2004 - Lições de vida:
"Haja paciência... para compreender que a vida é feita de contradições e aceitar que, sim, é enlouquecedor lidar com elas."


::: 25 de janeiro de 2004 - Um homem manda sua história:
"Se engana quem pensa que os homens (ou sua grande maioria) não têm coração: sim, para surpresa geral nós temos"


::: 9 de março de 2005 - Mais uma história de amor:
"Naquele tempo ser uma mulher separada (ainda não havia o divórcio) era sinônimo de prostituta. Saiu de casa com a roupa do corpo. Deixou pra trás louças caras, enxoval bordado a mão e os sonhos de uma menina que teve que aprender a duras penas o que era a vida."


::: 6 de abril de 2005 - A viagem:
"Menina em corpo de mulher. Ora mãe, ora filha. Tanta contradição em um enorme ponto de interrogação."

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Amanhã: Os mitos de Lilith e Eva e um papo de duas gerações sobre a mulher moderna

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2:26 AM


Quarta-feira, Abril 27, 2005

METÁFORA OU COMPARAÇÃO?

È noite de Natal e eu sentada aqui com meu laptop. Só quero ler e escrever. Mas o MSN apita para me tirar a visão das sombras. A alegoria de Platão vira tristeza na caverna virtual. Será que ninguém percebeu que eu estou ausente? Pelo visto meu "do not disturb" não é óbvio o suficiente. Ou será que eu é que não sou? Post sai, comentário não vem. Alguém me lê? Preciso de respostas. A dúvida corrói. No passado ou no presente, no Brasil ou no Japão, seja Lilith ou seja Eva, idiota ou estúpida. Pego minha caneta Bic e assinalo a resposta certa no vestibular da vida TAAA - todas as alternativas anteriores, bem rápido antes que o tempo se esgote. Os rótulos estão nos consumindo e um dia as pessoas terão código de barras. Um dia? Sim, o inferno é aqui e eu ainda fumo carlton vermelho. Lanternas vermelhas, maisena branca. Brilho eterno de uma vida com lembranças. Sem coragem de olhar para um irmão e me ver. E no segundo seguinte, morrer.

Sim, isso é uma metáfora.

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Esse texto surgiu a partir da leitura de contos indicados pelo Idelber Avelar, no seu post de hoje de O BISCOITO FINO E A MASSA.

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A série da "Mulher Moderna" foi o que houve de melhor até hoje nesse Kit e só posso agradecer a todos os blogueiros que gentil e brilhantemente me enviaram textos maravilhosos. Hoje ia publicar mais sobre o tema mas infelizmente meu filho adoeceu e eu não pude terminar o post que estava planejando. Mas em breve continuarei a falar mais sobre o tema.

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12:33 PM


Terça-feira, Abril 26, 2005

MULÉ MUDERNA
por Smart Shade of Blue


"A Renata me convidou a escrever um texto sobre a mulher moderna.

O problema é que eu não consigo ouvir ou ler a expressão "mulher moderna" sem pensar em "mulé muderna", pronunciada à maneira nordestina. Quer dizer, o problema com a mensagem é sempre o receptor. Se o receptor ainda funciona na base da válvula, aí a coisa complica. Fica entendido que a existência de um homem moderno ajuda muito na existência da mulher moderna.

Eu então, que vivo em Brasília, já começo a pensar na mulher moderna inspirada pela arquitetura de Oscar Niemeyer: uma mulher com amplos espaços, dotada de curvas sinuosas que são o terror de qualquer calculista. Uma mulher totalmente funcional, sem detalhes barrocos. Uma mulher monumental, que inspira reverência.

Não, acho que não funciona.

Ou então, em uma viagem mais cabeça, podemos pensar em Benjamim Constant e aquele negócio dele da liberdade dos antigos e a liberdade dos modernos. A liberdade dos antigos consistia em participar diretamente das grandes decisões, enquanto a dos modernos é uma liberdade negativa, que consiste basicamente em poder viver sua
própria vida sem interferências externas. Vai ver a mulher moderna se encheu de queimar sutiã na praça e só pede agora que lhe deixem dirigir sua pequena empresa e fazer sua plástica, isto é, que lhe deixem em paz. A mulher moderna de Benjamin Constant, então, é aquela que trafegou das grandes aspirações às lipoaspirações.

Não, também não é uma boa idéia.

Pra ser sincero, acho que a mulher moderna é aquela que descobriu que certos pequenos detalhes das relações homem-mulher são tão difíceis de mudar que não vale a pena ficar dando murro em ponta de faca. Talvez seja aquela mulher que cede no acessório para conquistar o essencial, que é a igualdade na diferença, e que tanto essa igualdade quanto essa diferença vão se alterando no tempo.

Vejo a mulher moderna como aquela que não descuida dos filhos mas divide as tarefas com o marido. Que não descuida da beleza mas reclama quando o maridão cria pneu. Que sabe dar prazer mas exige seu orgasmo bem gostoso. Que cuida dos problemas cotidianos da família mas pensa no seu próprio aperfeiçoamento no médio e longo prazo. Que sabe que não nasceu pra caçar marido, mas também sabe que viver a dois é mais legal. Acima de tudo, a mulher moderna sabe que é um projeto
em andamento, em constante evolução.

Quem sabe ? Talvez em algum momento futuro a mulher moderna se reconheça mais em Lucy, o esqueleto africano de 3 milhões de anos, do que em Susan Sontag. Espiritualmente, espero."

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2:09 AM


Domingo, Abril 24, 2005

ENTRE O MODERNO E O ETERNO
por Alexandre Inagaki, do PENSAR ENLOUQUECE, PENSE NISSO


"Em seu famoso ensaio sobre a tal da Modernidade, Baudelaire a definiu como sendo o transitório, o efêmero, todos os elementos que sejam condicionados pela época, pela moda, pelas paixões. Mas, para além da volatilidade que lhe é inerente, há também na Modernidade o fascínio fugidio das metamorfoses, dessa tensão constante entre tradição e mudança. O papel do artista estaria, pois, em extrair a beleza misteriosa da fugacidade moderna, a fim de destilar-lhe o que há de eterno.

Ok, mas o que é que as mulheres têm a ver com isso?

Vivemos uma era caótica. O walkman de ontem é o iPod de hoje, que amanhã já estará obsoleto. Pertencemos a gerações precocemente nostálgicas, que têm saudades da Turma do Balão Mágico, do cubo mágico, TV Pirata e a zebrinha do Fantástico, simplesmente porque tiveram tempo de assimilar devidamente uma época que parece ter terminado precocemente, soterrada em meio às mudanças cada vez mais repentinas. Mas quem está na casa dos trinta anos até que teve sorte. Fico pensando nessa molecada que mal saiu das fraldas e já é condicionada a ter aulas de inglês, informática, japonês, natação e o que mais couber em suas agendas, a fim de que possa se preparar para enfrentar os desafios profissionais nestes fucking times de downsizings e empowerments.

E se essa criança é do sexo feminino, sai de baixo. Haja 24 horas para a mulher que deseja construir uma carreira profissional, ter e criar filhos, controlar o próprio peso, encontrar um cara legal ou, na ausência dele, aprender a trocar pneus, ao mesmo tempo que lava pratos, retoca a maquiagem, cursa uma faculdade e curte a vida por aí. Sexo frágil é o escambau!

É bóbvio que nem todas as mulheres desejam se enquadrar nesse perfil rascunhadamente traçado no parágrafo acima, vide as neoamélias, popozudas, marias-gasolina, mocinhas com a Síndrome de Cinderela que ainda sonham com o seu príncipe encantado (aquele mesmo que vira sapo logo após gozar) e executivas workaholics que acham que homens são todos iguais e não hesitariam em trocá-los por vibradores que também abram vidros de palmito.

Mas tergiverso, tergiverso. E eu, que sou apenas um rapaz latino-americano, percebo que é impossível definir todas as inquietações, idiossincrasias, trejeitos, nuances e sentimentos presentes no olhar feminino. Porque, diante do sorriso de uma mulher, sou subitamente remetido aos tempos em que eu era um garoto bobão repleto de espinhas e dúvidas existenciais por todos os lados (não que eu tenha melhorado muito desde então; tornei-me apenas um bobão mais experiente). Percebo, então, que neste curso inexorável da vida em que tudo fenece e morre, a eternidade está contida no tempestuoso céu dos olhos de uma mulher que talvez nunca mais reveja, definida por Baudelaire como a "efêmera beldade cujo olhar me fez nascer segunda vez". Mas como haverei de reencontrá-la, se a perdi em meio ao tumultuado turbilhão das multidões da modernidade?

E cá estamos. Entre o moderno e o eterno, vejo homens e mulheres perambulando por aí, confusos nesta era pós-utopias, de ideologias incertas e instituições fragilizadas. E eu, que facilmente me perco em ruas, corredores, pensamentos e tergiversações, encerro esta discussão divagando sobre Orkut, aparelhos de GPS e outras facilidades pós-modernas que nos permitem vagar menos perdidos por este mundo e reencontrar velhos amigos. Chegará o dia em que os avanços tecnológicos, tão incensados pelos poetas modernos, enfim desatarão o nó dos labirintos que separam casais extraviados pelo alarido frenético das ruas?"

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11:51 PM


Sábado, Abril 23, 2005

A MULHER MODERNA E O FEMININO ETERNO
por Idelber Avelar, de O BISCOITO FINO E A MASSA


"A mulher moderna sabe que a queima dos sutiãs foi necessária para libertar os biquinis e os baby-dolls, mesmo os mais cafonas. A mulher moderna sabe que sem Jane Fonda não há Madonna, sem Leila Diniz não há Xuxa.

"Mulher moderna" é aquela que vota, se divorcia, aborta legalmente (em certos países), concorre a cargos públicos, troca de profissão aos 35, refaz a vida afetiva aos 40. Por que não?

A mulher moderna aprende a lidar com a agressividade gerada no macho pelas suas conquistas. Ao mesmo tempo, aprende a lidar com as lambisgóias de 22 que já sabem usar pílula e roubar marido.

Deparando-se com o nervoso e preocupado argumento de certos homens - de que ela tem que escolher se quer cavalheirismo ou igualdade de direitos, afinal que história é essa, vai continuar deixando-nos nessa incerteza? - a mulher moderna sabe que quando uma auto-estima masculina entra em crise, a estratégia do feminino continua devendo ser a do cuidado: ela sorri tranquila e "compreensiva".

As mulheres da era das grandes batalhas do feminismo clássico legaram à mulher moderna também esse direito, o de simplesmente não discutir, o direito de dizer sim, meu bem por pura escolha. A mulher moderna, por poder ser executiva, advogada, médica ou apresentadora de televisão, conquistou também o direito de ser mãe ou dona-de-casa em tempo integral. Seria lindo viver num mundo em que esse direito fosse extendido a todas as mulheres, em que todas elas pudessem ser "modernas."

Talvez por razões autobiográficas, mulher moderna, para mim, é principalmente a que escreve. Claro, as mulheres sempre escreveram, muito mais do que os homens desconfiaram, ao longo da história. Continua-se a descobrir manuscritos de mulheres de várias épocas e línguas, soterrados nesse mar de esquecimento masculino que são os arquivos. Mas nossa época é, acredito, a época em que se diminui um pouco o número de mulheres que escrevem escondidas.

É claro que a mulher não tem que escrever para ser moderna. Mas ali, na escrita, roçam-se a modernidade e o feminino eterno como em nenhum outro espaço. Ali há emancipação e conquista, há entrega apaixonada e instinto materno. Na escrita feminina cabem a pílula e o avental. É isso o que me apaixona nos textos das mulheres.

Talvez nem a mais sábia das mulheres modernas saiba qual deve ser a pitada exata, a proporção perfeita, a combinação justa entre a "mulher moderna" e o "feminino eterno".

Mas sabemos que a enraivecida afirmação de que essas duas coisas devem ser irreconciliáveis - de que se deve escolher entre elas - é uma preocupação própria ao homem em pânico.

A mulher moderna seria isso também: lugar onde o homem vive seu drama, encontra seu limite, nomeia seu medo. Dentre as mulheres modernas, cativam-me mais aquelas que sabem disso, as que já entraram em contato com esse saber da fragilidade do outro.

Dentre estas, as sabidas, serão sempre mais apaixonantes as que optem por viver esse saber na alegria."

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2:58 AM


Quinta-feira, Abril 21, 2005

UM PESO, UMA MEDIDA, O QUANTO CUSTA SER MODERNA
por Lucia Villa Real, do VILLA DA LUCIA


Há uma semana a Tata pediu que eu escrevesse um texto sobre a mulher moderna. Fiquei lisonjeada com o convite, mas ao mesmo tempo preocupada. Escrever com tema pré-fixado, não é coisa que eu faça habitualmente. Na maioria das vezes deixo minha imaginação correr por onde ela deseja e assim meus textos aparecem. Mas como todo desafio me fascina, cá estou eu tentando engatar no assunto.

Acompanhei as publicações durante toda a semana e percebo que basicamente tudo que tinha pra ser dito já foi. Frases feitas, conceitos pré-fixados, requisitos estabelecidos, não aceito nenhum, na minha opinião são todos produtos da mídia, principalmente das ditas revistas femininas que começaram a surgir décadas atrás, um nicho não explorado, uma verdadeira mina de ouro descoberta por algumas editoras. Na época os artigos eram escritos muitas vezes por homens, imaginem só, e o tema preferido girava em torno de conselhos e orientações de como cuidar dos maridinhos para mantê-los satisfeitos e felizes no lar.( Pena não me lembrar mais onde li um desses artigos para compartilhá-los na íntegra com vocês.)

Hoje, décadas se passaram, mulheres queimaram sutiãs, clamaram por liberdade e uma posição atuante no mercado de trabalho, mas será que essas ditas mulheres modernas são hoje mulheres realizadas e mais felizes do que minha mãe ou minha avó eram na sua época? Não creio, pois hoje, além do que a sua natureza lhe exige, ela vive em cobrança absoluta acerca de suas atitudes, medos, receios e culpas.

Se deu no primeiro encontro, não devia ter dado, ora, mas que besteira, afinal, é uma mulher moderna! Se acorda um dia pela manhã e decide vestir um terninho para ir trabalhar mas tem a surpresa que o botão da calça não fecha é o caos, o dia está perdido, nada mais vale a pena. Fecha a boca de imediato, não toma café, não almoça, não janta e desmaia no final do dia.Se é promovida e tem sua carga horária aumentada, chora escondida no banheiro da empresa de saudade e remorso por deixar seu filho na creche o dia inteiro. E assim poderia enumerar centenas de exemplos.

A questão em si não é se somos ou não mulheres modernas, mas se realmente vale a pena nossa luta para atingirmos o patamar de hoje.

Somos perseguidas dia e noite incansavelmente, despertas ou mergulhadas em sono profundo, as quatro culpas não nos deixam:
Comida;
Carreira;
Mãe;
Relação Amorosa.
Não necessariamente nessa ordem.

Affe! É coisa demais, e ainda dizem que somos o sexo frágil; estudos de hoje comprovam que a mulher moderna menstrua mais vezes na vida cerca de 450 vezes, contra 250 vezes da mulher do início do século XX. (http://www.drauziovarella.com.br/entrevistas/reposicaohormonal4.asp)
Me pergunto então, se vivemos em cobrança constante, se não estamos satisfeitas com nosso biotipo que não se enquadra ao padrão de beleza esquálido estabelecido pela moda, se não conseguimos ser nós mesmas.

Por que então continuar com essa besteira de querer ser rotulada como uma Mulher Moderna? Por que simplesmente não se assumir e como diz o Rafael Galvão, ser simplesmente Mulher ?!

Pois eu digo pra vocês, há muito abri mão do posto de Mulher Moderna. Antes Amélia feliz do que moderna estigmatizada!


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8:52 PM


Quarta-feira, Abril 20, 2005

QUANDO EU ENCONTRAR UMA MULHER MODERNA
por RAFAEL GALVÃO

O problema é definir o que é mulher moderna.

E eu não consigo, juro.

Certo, conheço as definições. Aquela conversa de três turnos. Aquele papo de ser mulher, mãe, profissional.

Bobagem.

Tavez eu seja machista. Talvez. Mas isso, no fundo, não me importa muito.

Talvez eu ache apenas que não existe mulher moderna, antiga ou qualquer coisa do tipo. Existe apenas mulher.

Que seja machismo dizer, por exemplo, que por mais belas que sejam suas conquistas, ainda não há nada melhor que cafuné numa tarde fresca de sábado, só você e ela, esquecidos do mundo e da vida. Tudo bem, eu não ligo. Eu sou só um paraíba, mesmo, e na minha terra as coisas ainda são simples, tão simples que às vezes a gente se assusta com essas coisas de modernidade.

Que seja machismo dizer que não há nada melhor do que olhar no olho dela, e se perder em tudo o que ele consegue dizer sem palavras, e perceber de repente que não há nada mais importante que aquilo.

Que seja machismo achar que não há nada tão bom quanto o gosto de uma mulher, quanto o seu cheiro. Que não há nada tão bom quanto ouvir sua respiração bem pertinho do ouvido, que nao há nada tão bom quanto sentir sua mão no seu rosto, passeando com calma, perdida e sem direção.

E posso ser machista, sim, mas essa acusação não vai me fazer deixar de achar que não há nada como se perder no olhar da mulher amada, que nao há nada como ver o seu sorriso, que nao há nada como sentir movimentos involuntários e incontroláveis.

Eu sou machista. Fazer o quê?

O resto? Ah, o resto não é tão importante. O resto são as circunstâncias. E as circunstâncias apenas tiram de uma mulher o que ela tem de melhor. A capacidade de enfrentar desafios, de dar o melhor de si, de se superar.

Mas isso não quer dizer que ela seja esse segmento de marketing que chamam de mulher moderna.

Não quer dizer porque ela não precisa disso.

Talvez seja por essas razões sem juízo que eu ache que isso de mulher de moderna, se nao é errado, não é tão certo assim. Para mim, não existe isso de mulher moderna, de mulher antiga. Existe apenas mulher.

Graças a Deus.

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12:17 AM


Terça-feira, Abril 19, 2005

QUE PORRA É "UMA MULHER MODERNA"?

por Luiz Biajoni, do TIRO E QUEDA

Eu não sei bem o que é uma mulher moderna. Bom, eu não sei bem nem o que significa MULHER! Acho que foi o doidão do Lacan que disse que MULHER não existe, é uma abstração: existem MULHERES e cada uma é tão diferente da outra que cada uma é um UNIVERSO. E como falar sobre UNIVERSOS MODERNOS? Como escrever sobre esse tema tão amplo e abjeto? Logo eu que na infância nem sabia jogar fubeca?!

Mas a amiga dona desse blog me pede umas linhas e cá estou, terceira cerveja aberta, botando meu macacos do sótão para agir. Penso em sacar um ar blasé-intelectual e citar "As Deusas e a Mulher", fantástico livro da junguiana Jean Shinoda Bolen que categoriza as mulheres em padrões constantes e estanques desde a ancestralidade, representados pelas deusas gregas. Nesse ponto de vista, não existem mulheres MODERNAS, existem mulheres arquetípicas que têm os mesmos comportamentos desde sempre; como Diana, a caçadora (competitiva, feminista) ou Vesta (solteirona por opção, muito crítica dos homens) ou Vênus (amante, sensual, gosta de pular de homens) ou Perséfone (astuta, depressiva, manipuladora, voltada para a irrealidade), etc... Talvez isso soe muito "positivista", botar as mulheres todas em escaninhos de comportamento. Acho que pensei nesse livro pois MULHER MODERNA também não deixa de ser uma categorização - e isso me incomoda.

Pensei em usar o método do exemplo para falar sobre o tema proposto e - espanto! - todas as MULHERES MODERNAS que eu penso conhecer têm um mesmo padrão: cerca de 30 anos, separadas, com filho(s), workaholics, personalistas e preocupadas com a aparência. Podia citar várias, de bate-pronto. Mas posso cair no erro da generalização novamente e ficar com cara de bobo diante dos(AS) leitores(as) desse blog que, enfim, se propõe um "Kit Básico" do quê? Da MULHER MODERNA!

(Ó céus! Percebo que sou um bobão tentando falar sobre um tema que domino tanto quanto física quântica!)

É interessante... Coincidentemente estou acabando um livro de uma mulher que bem podia ser chamada de MODERNA no seu tempo: ¿Confissões de uma groupie¿, de Pamela Des Barres (Barracuda). Pamela deixou a família e foi atrás das bandas de rock nos anos 60; acabou flertando, conhecendo e transando com a maioria dos grandes astros do rock... Conheceu o mundo viajando com bandas e, no livro, coloca sua determinação como uma bandeira feminista, como algo que devia ser feito por uma mulher de sua época, como uma ¿profissão de fé¿. Estaria Pamela enganada? Seguir a intuição e se adequar ao chamado de seu tempo fazem de uma MULHER, MODERNA?

(Penso: o esforço para ser uma MULHER MODERNA no seu tempo pode bem se transformar em algo ridículo, com um certo distanciamento histórico, vai dizer?)

Bom, acho que deixei mais dúvidas do que afirmações nessas linhas. Fecho com uma frase do mestre Borges: "Ninguém entende as mulheres, e tampouco eu as entendo". Completo: ainda mais as tais MODERNAS!


:::: Confira também a participação do Luiz Biajoni hoje no Biscoito Fino e a Massa.

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12:25 AM


Domingo, Abril 17, 2005

UMAS E OUTRAS
por Mônica Ribeiro, do MONICÔMIO

Laura, 38 anos, advogada, casada, mãe de dois filhos:

Aprontei muito quando era adolescente. Perdi a virgindade cedo, sabe? Transei muito, tomei porres homéricos, ah... eu era da pá virada. Com 25 anos casei com um colega de faculdade. Mas não trabalhamos juntos não. Bom, deixa eu contar como é meu dia: trabalho pacas, vou ao salão toda semana - a gente tem que se cuidar, senão o marido olha pra outra, menina! -, cuido dos guris e ainda administro a casa. Dar ordens para a empregada, fazer supermercado, levar os meninos pro colégio... Não é fácil não! O Rogério, coitado, não leva jeito pra essas coisas domésticas. Então faço eu, que gosto de ver tudo funcionando direito. Me sinto um mulherão. Dou conta de tudo! E ainda por cima tenho um fogo danado na cama... Ah, quer saber? Eu sou moderna sim.

***

Sandra, 35, empregada doméstica, casada, três filhos, trabalha para Laura:

Essa conversa de ¿moderna¿ é coisa de madame. Olha a dona Laura: pra ela ser moderna eu lavo, passo, limpo, cozinho, tomo conta daqueles dois capetas e ainda tenho que pegar duas conduções pra ir e voltar do serviço. Sorte que o Sérgio, meu marido, é pau pra toda obra. Faz o serviço de casa, cuida dos meninos... Tá certo que é meio paradão. Não liga se a casa não tem reboco, se o sofá tá rasgado... Mas tudo bem, é o jeito dele, e ele tem muita coisa boa. Mas agora tô saindo com um cara aí, o Fábio. O que o Sérgio não me dá ele dá. Homem cheio de fogo, romântico... Conversa comigo, me leva pra uma cervejinha... É bom demais. Não quero separar do Sérgio não. Tá jóia assim. Antes eu tava grilada com isso. Agora vou é aproveitar. Gosto dos dois. Ouvi dizer que isso de ter amante é coisa de mulher moderna. Ah, tá. Eu lavo, passo e cozinho pra uma madame. Isso é ser moderna?

***

Laís, 32, formada em jornalismo, irmã de Laura, sem filhos, vive com a companheira, Clara:

Olha, eu enfrentei o mundo e assumi: sou lésbica sim! Foi duro. Fiquei meses sem falar com a minha mãe. Hoje ela me aceita. Mudou demais... Virou outra! Só sei que enfrentei tudo pra ter o direito de ser quem eu sou. Se isso não é ser moderna, eu nem sei mais o que é. Olha, eu não trabalho fora. Fico em casa cuidando de tudo, cuidando da Clara, da nossa vidinha, mas, e daí? Ela ganha bem e, por isso, nem preciso de emprego. Não vejo nada de mal nisso. Tem 2 anos que moro com ela e acho que sou muito feliz. Tenho só dois problemas: como ela sai pra trabalhar, eu acabo sentindo ciúme. Ai... isso é um sofrimento! O outro problema é o tédio. O apê é pequeno, eu termino logo de arrumar tudo e acabo ficando sem o que fazer, contando as horas pra ela voltar. Ando desinteressada de livros, de filmes, essas coisas. Só saio junto com a Clara. Ela diz que eu preciso arranjar uma atividade, um interesse na vida. Mas minha única paixão é ela! Será que ela quer ficar livre de mim? Olha, eu morro de medo disso.

***

Olga, 61, dona-de-casa, mãe de Laís e Laura:

Eu fui criada do jeito antigo, compreende? Moça tinha que casar virgem, fazer as vontades do marido, obedecer e não reclamar. Ele que era o chefe da família. Sofri muito, mas segui tudo o que minha mãe me ensinou. Faz cinco anos que enviuvei. Cuidei do Osvaldo até o fim. Foi muito sofrimento, compreende? Pensei que fosse morrer junto com ele, mas a tristeza acabou passando. Minhas filhas, faz uns três anos, me pagaram uma excursão pelo Nordeste. Fui com minha amiga Sônia. Na viagem conheci o Plínio. No início foi só amizade. Ele me levava pra dançar, pra ver um filme, coisa que o Osvaldo nunca fez. Aí a gente começou a namorar. Era uma coisa que pensei que nunca ia acontecer, compreende? Tô muito feliz, mas casar de novo não quero não. Namorar é muito bom. Eu não sabia o que era achar sexo bom. Tive meu primeiro orgasmo com 59 anos, sabe? Ainda fico sem graça de falar nessas coisas, mas minha cabeça está ficando mais solta. Hoje aceito bem que a situação da Laís, minha filha mais nova, que mora com uma mulher. Gosto muito da Clara, companheira dela. O único problema é que a Lalá está muito dependente da Clara. Parece que está repetindo minha história. Acho que eu, agora que sou mais moderna, vou ter que dar uns conselhos pra minha caçulinha.

Mônica, 33, arquiteta, vivendo com um homem há cinco, sem filhos:

Ainda não descobri o que é ser mulher. Não sei se sou moderna, pós-moderna, renascentista, ¿anos 70¿, barroca, atemporal... Aliás, ainda não descobri o que é ser Mônica. Seja eu mulher, homem, minhoca ou borboleta, é isso que me importa de fato. Mas talvez nem isso seja possível saber completamente.

:::: Amanhã, confira a definição de mulher moderna do Biajoni.

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11:48 PM


Sábado, Abril 16, 2005

Agora um homem aceitou entrar na dança e nos envia o texto abaixo sobre o tema da semana.

MULHERES, HOMENS E CASAIS MODERNOS

por Ricardo Montero, do HOMEM BAILE

Acho impossível falar da mulher moderna sem mencionar o homem moderno. Uma certa androginia: as mulheres assumem mais e mais comportamentos antes rotulados como masculinos, do mesmo modo que os homens mostram-se mais femininos. A mulher moderna pode vigorosamente vivenciar sua sexualidade sem levar a pecha de ninfomaníaca, do mesmo modo que o homem moderno pode ser vaidoso sem ser tachado de homossexual.

A mulher moderna, assim como o homem moderno, trabalha fora. O casal moderno divide as tarefas caseiras. Por vezes as coisas até mesmo se invertem em relação aos velhos tempos: enquanto o homem moderno lava a louça, a mulher moderna troca a resistência do chuveiro. Não confundam as coisas, porém: um casal onde a mulher trabalha fora e o marido cuida da casa não é moderno, mas sim um mero casal convencional com sinais trocados.

Para homens e mulheres modernos, o sexo (o do meio das pernas) não faz tanta diferença quanto antes, época em que a genitália estabelecia papéis dos mais rígidos para os que ansiavam por aceitação social. Claro, algumas coisas permanecem imutáveis: um homem, mesmo moderno, não pode aleitar e parir (ao menos por hoje; quem diria que, para as mulheres, menstruação e menopausa se tornariam opções?)

Também entra na conta do casal moderno os talentos de cada um. Quem cozinha melhor? Quem dirige melhor? Quem consegue fazer um melhor planejamento financeiro? A aptidão é o fator determinante para a escolha de quem vai para trás de uma panela, de um volante ou de uma calculadora.

Utopicamente, tanto a mulher quanto o homem moderno não assumem rótulos. Os papéis antes reservados a cada um dos sexos hoje se confundem; conceitos-chave são a igualdade e o compartilhamento de direitos e deveres. Isso tudo, porém, não vai contra a delicadeza e a educação: que mal há em se abrir a porta do carro para uma mulher?

O futuro do homem e da mulher modernos é promissor; ainda há muito a ser mudado em termos de mentalidade. Que caiam por terra os preconceitos. Viva a igualdade!

P.S. A opinião que expresso no texto permanece válida, com as devidas adaptações, para casais moderníssimos de duas mulheres moderníssimas ou dois homens moderníssimos. Cada um com suas preferências, sem qualquer preconceito de minha parte.


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12:00 PM


Quinta-feira, Abril 14, 2005

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO CRESCER?

por Roberta Febran, do ALMA EM PUNHO, especialmente pro Kit Básico.

"Lembro perfeitamente do dia em que meu avô me perguntou, uma única vez: "O que você quer ser quando crescer?" - e a resposta foi bem direta: "Quero ser igual ao senhor!".

Ele soltou uma gargalhada, até hoje não sei se por ter se surpreendido ou por ter achado graça. Mas o fato é que eu via aquele homem culto, importante, formado em três faculdades e falando fluentemente quatro línguas. Eu realmente queria ser como meu avô. Mas então eu observava minha avó, doando-se completamente à família, cuidando da casa com todo zêlo... E desejava aquilo também. Por que não ser como os dois?

A dita Mulher Moderna é assustadora, apesar de sua postura diante das dificuldades do dia a dia ser admirável. Mas, ainda assim, é muito cômodo para os homens, por exemplo, enxergar a mulher como uma "Amélia", aquela que passa boa parte do tempo esquentando a barriga na beira do fogão, que lava suas cuecas, que acata suas ordens. Mas o que antigamente era uma regra hoje é uma exceção. E isso, definitivamente, assusta.

O que a sociedade precisa entender é que nós não estamos querendo tomar o lugar dos homens, mas sim nos igualar a eles, porque sermos mulheres não significa que somos menos capazes de obter grandes conquistas. A maior prova disso é o fato de conserguirmos ser ao mesmo tempo mães, esposas e profissionais bem-sucedidas.

O que não se pode fazer é conformar-se com o espaço já conquistado. Precisamos de mais, porque merecemos mais. Provavelmente agora, onde quer que esteja, meu avô se sinta orgulhoso não só por ter uma neta que está atingindo suas metas, mas principalmente por ela ser mulher."


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11:38 PM


Quarta-feira, Abril 13, 2005

MULHER MODERNA

Leia dessa vez uma visão femina, escrita especialmente para o Kit Básico,


por Elis Monteiro, do PAR ELIS

O que é ser uma mulher moderna? Antes de mais nada, o que é ser MULHER? A pergunta, tola à primeira vista, tem freqüentado o meu espelho, espelho meu, quando acordo de manhã (ou à tarde, depende da noitada) e nele miro; tem aparecido nas minhas seções de análise; flui entre as conversas com amigas e quando troco uns dedinhos ou uma mão inteira de prosa com minha mãe.

Esta última, diga-se, tem estado tão perdida quanto eu na questão, mesmo tendo 26 anos a mais. Ela não queimou soutiens, nem eu. Mas as duas pagamos o pato. Feministas que me perdoem (ou me poupem) mas, conquistas de direitos à parte, acho que a mulher foi muito além do que devia ter ido. O sexo frágil se perdeu e hoje, diante da visível (e, por vezes, sórdida) mudança no comportamento dos homens (oponentes), não sabemos mais como agir. A coisa complicou tanto que até as companheiras de gênero não conseguem entender umas às outras. E o respeito foi às favas. Corporativismo? Pro beleléu. Cada uma que cuide do que é seu. Mais ou menos aquilo que nossos pais costumavam dizer para os amigos quando falavam dos nossos irmãos: "segurem suas cabritas, que meu bode está solto!". Hoje, cada mulher que segure seu homem, porque, para as outras, todos estão soltos. E nem adianta provar o contrário.

Digo a todos que sou machista. Não exageremos. Não sou machista, mas sim a favor de uma revisão no papel do homem na sociedade. Salvo algumas exceções, os homens estão tão perdidos quanto nós. Eles não sabem mais se querem abrir a porta do carro ou gritar conosco. Ou não foram criados para mostrar cavalheirismo, palavra que perdeu o sentido e, hoje, confunde-se com "cavaleirismo", assim, sem H, de cavalo mesmo. Muitos nos tratam como tratam os colegas de trabalho ou os amigos de pelada (futebol, o que é pior ainda). E o buraco é mais embaixo. Mulher não pode ser tratada como homem, não só porque nossa constituição física é mais frágil; nossa alma também o é.

Sim, que ninguém se engane. Eu quero um Mark Darcy (par romântico de Bridget Jones, que mulher não conhece?). Quero que alguém abra a porta, quero que um cara se responsabilize pela troca das lâmpadas, que abra as latas de palmito, que fale grosso, mas que seja firme sem nunca ser rude. Quero ter o direito de ser feminina, e não feminista. Ficar linda e cheirosa esperando o meu homem chegar em casa, mesmo depois de um dia de trabalho.

É isso mesmo. Um dia de trabalho, porque disso não abdico. Tenho clara na minha mente a divisão entre ser profissional e ser esposa/mãe/MULHER. Posso ser feroz no trabalho. Mas sem precisar levar para casa a meiguice e o lado materno do qual abdico quando estou na labuta.

O conceito de mulher moderna? Batalhadora e frágil. Forte e feminina. De preferência, com soutien. E lingerie delicada. Mulher é aquele sexo que, em momentos frágeis como o depois do amor, verte uma lágrima emotiva. Porque precisa que seu parceiro, companheiro, amigo, camarada, admirador, lhe dê as mãos e a trate como uma peça preciosa que, embora seja frágil, não quebre tão fácil assim.

Mulher moderna é aquela que cria seus filhos, se preocupa com eles, é carinhosa, doce e gentil. É aquela que sai para trabalhar com um sorriso nos lábios porque passou a noite ao lado das pessoas que ama - marido, namorado, namorido, seja lá o nome que for -, a prole e os bichos de estimação. Gatos, de preferência...


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2:07 AM


Terça-feira, Abril 12, 2005

MULHER MODERNA

Leia abaixo mais um texto sobre o tema, escrito especialmente para o Kit Básico.

Mulheres: desbravando um novo mundo
por Marcos Donizetti, do ME, MYSELF AND I


As mulheres modernas são como os exploradores aventureiros que primeiro adentraram o interior da América. Assim como eles, são desbravadoras. Foram e estão sendo as primeiras a encarar a desconhecida selva que é nossa nova ordem social. Enquanto boa parte dos homens está perdida sem entender muito bem o que está acontecendo, as mulheres simplesmente estão mergulhando de cabeça neste novo mundo. Como os primeiros exploradores, elas também estão procurando algo mais (não exatamente pedras preciosas). Procuram sucesso profissional e igualdade de direitos, procuram independência, respeito e, ao mesmo tempo, procuram felicidade e amor assim como faziam nossas mães e avós.

Sim, a mulher moderna não difere tanto quanto se pensa das mulheres do passado. Ainda percorrem um caminho de transição e que provavelmente nunca levará à ruptura. A mulher moderna é um amálgama das mulheres de todas as gerações anteriores. O que as difere das mulheres de ontem é o nariz empinado de quem não é mais submissa, de quem sabe seu valor e conhece seu devido espaço. A mulher moderna não se contenta com pouco. Se antes eram presas ao "único homem da vida"
e morriam sem conhecer bem o próprio corpo ou saber o que é um orgasmo, hoje querem orgasmos múltiplos coloridos (expressão emprestada) e estão certas nisso.

A grande questão a ser resolvida, a fonte de Ponce de Léon a ser encontrada, é o equilíbrio entre tudo que o novo mundo oferece e os valores do passado que não foram e não serão abandonados. Porque hoje as mulheres ainda são muitas vezes obrigadas a escolher entre a carreira e a família, entre a independência financeira e a criação dos filhos. Como disse uma amiga minha, a mulher moderna precisa trabalhar, estudar, fazer jornada dupla para cuidar da casa e ainda ficar linda para o marido ou namorado. Sinceramente? Ou as histórias da Mulher-Maravilha não são tão fantasiosas assim ou temos terreno fértil para o surgimento de pessoas neuróticas e frustradas (mesmo que muitas estejam obtendo sucesso).

Acredito que a mulher deve ter a chance de conciliar melhor as vidas particular, afetiva e profissional. E tenho comigo também que o papel do homem nesta história é fundamental. Muitos de nós ainda não aprendemos a ver as mulheres como companheiras e amantes e ainda buscamos nelas simplesmente alguém para cuidar de nós como faziam nossas mães. Quando os homens saírem das cavernas e assumirem também o papel de "homem moderno" estará sendo criado um novo paradigma (jurei que não usaria mais esta expressão) para nossos relacionamentos, e o tão necessário equilíbrio estará bem próximo. Aí, quem quiser ser dona (o)-de-casa que seja. Mas por opção, e não por não ter outra saída.


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4:34 AM


Segunda-feira, Abril 11, 2005

KIT BÁSICO

A partir de hoje você vai ler aqui vários blogueiros dando a sua definição de MULHER MODERNA, especialmente pro Kit.


por Alexandre Cruz Almeida, do LIBERAL LIBERTÁRIO LIBERTINO

"Pra mim, mulher moderna é a que sabe escolher.

Mulher moderna pode ser tanto a que escolheu, sim, ser do lar, e por que não?, afinal, descobriu que nem só de trabalho vive o homem (digo, mulher) e que, ao fim da vida, pode bem ser mais gratificante saber ter uma bela família, boa vida e filhos criados, do ter tido cargos de responsabilidade, ganho muito dinheiro ou dirigido a firma.

Também, por outro lado, mulher moderna é aquela que abraçou de peito aberto o mundo moderno, fez faculdade e doutorado, mestrado e MBA, trabalhou e galgou os degraus, fez um nome pra si e pagou o preço.

E mais moderna ainda é a mulher que quis ter tudo, colocou sua vida e sua felicidade na reta, trabalhou e criou filhos, dirigiu a firma e manteve a família, e mesmo não tendo às vezes sucesso igual em todas as frentes dessa batalha, lutou o bom combate até o fim.

Na verdade, só não é moderna mesmo a mulher abusada e egoísta que quer apenas o melhor dos dois mundos. Aquela que se diz liberada e independente, mas que só aceita um homem que ganhe mais que ela ou que garanta a SUA independência financeira. Aquela que levanta o queixo e diz querer ser tratada de igual pra igual mas que se o homem não pagar a conta toda, fala mal dele pra todas as amigas e nunca mais volta à vê-lo.

E sabe qual é o pior? Admitam ou não, quase todas são assim.

Querem ter as oportunidades de um homem, mas mantendo os privilégios das avós - privilégios que as avós tinham JUSTAMENTE em compensação por não ter quaisquer oportunidades.

Mulheres e crianças primeiro podia fazer sentido na época do Titanic. Hoje, se uma mulher pode disputar comigo meu emprego, também pode disputar comigo o último lugar no bote."


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11:34 AM


Sexta-feira, Abril 08, 2005

QUANDO 1 + 1 = 3
por Mônica, Marcos e Renata


Três blogueiros. Três mentes. Seis mãos. Uma história: você e eu.

Vem sempre à noite, aquela sensação, aquele calor, aquele frio na boca do estômago até sentir o suor que escorre pela pele. É o desejo, a agonia, a fome. Aquela sensação desconhecida na boca. Algo que não se sabe bem o que é.

Fico aflita pela angústia de não saber se posso contar com o tempo ao meu favor.
Ah, o tempo... Não sei se corre rápido, se corre lento. O tempo me confunde. Eu fico fundida ao tempo e não o entendo. E não o entender, para mim, é puro desespero, destempero... Não adianta correr contra o relógio, a manhã se aproxima, o calor não passa e o pranto não cala.

Ah, o pranto... Quanta agonia, quanto sofrimento. E quanto prazer. Sim, prazer. Urgência, pressa em resolver tudo aquilo. Pressa em tirar dos olhos daquela visão que não quer se apagar. Só encontrava a cura para o desespero na paz do seu olhar.

Por que demorei tanto pra admitir e não gritei logo de uma vez? Pra que tanto orgulho se é você quem eu quero? Era preciso, era preciso sim. Eu tinha de fazer a transição do que eu temia para o que eu queria. Tinha de respeitar, de fato, aquilo que eu desejava, e não aquilo que meu medo me dizia.

Mas porque tinha que ser tão difícil? Porque toda vez que eu virava as costas para o medo me sentia tão perdida e sem chão?

Você sabe a resposta. Eu só sei o que não devia sentir.

Eu não devia, mas eu sentia. E sinto. Sinto de forma cada vez mais intensa e, por mais que o medo me tire o chão dos pés, não quero que seja diferente. Mesmo perdida, nunca me senti tão viva. De que valia toda aquela segurança se sinto como que nascendo agora? O mundo só me toca através de suas mãos. Se não, nem existo.

É preciso arriscar. Suas mãos, sua presença, sua existência vale o risco. Preciso existir. E só há vida na insegurança que sua presença me dá.

Boca, pele, aflita, tempo, desespero, relógio, prazer, olhar, orgulho, transição, medo, resposta, diferente, segurança, chão, existir... Minhas palavras são você e eu.


Post simultâneo nos blogs Monicômio, Me, Myself And I e Kit Básico da Mulher Moderna


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3:43 AM


Quinta-feira, Abril 07, 2005

O IMPOSSÍVEL

Descobri que existe algo pior do que uma mulher mal-amada: a não-amada.


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2:25 AM


Quarta-feira, Abril 06, 2005

A VIAGEM

É chegada a hora de partir rumo a jornada do auto-conhecimento. Vejo tantos caminhos a escolher e tantas placas nessa estrada que fica difícil seguir em frente sem consultar um mapa.

Nele encontro uma observação bem lá no canto, provavelmente escrita por algum viajante experiente ou por mim mesma num momento de loucura: "Siga leve em sua jornada, jogue fora o supérfluo. Extraia o coração, se necessário. Razão, use a razão."

Agora sim, posso ligar o motor, engatar a marcha e seguir em frente. Pra onde vou? Tanto faz qual será o caminho escolhido, irei parar de qualquer maneira.

Mas quantas paradas serão necessárias para compreender que nada é mais passional do que ser cegamente racional?

Em uma delas, releio minhas histórias e encontro um retrato dessa mulher de mente acelerada, que acorda quando dorme e sonha enquanto vive. Se fecha ao abrir um sorriso e disfarça com alegria sua tristeza contida. Neurótica, melancólica, humana..."demasiadamente humana".

Menina em corpo de mulher. Ora mãe, ora filha. Tanta contradição em um enorme ponto de interrogação.

Olho pelo retrovisor e vejo uma vida curta com muitos quilômetros rodados. Na memória, um diário de bordo. Em suas páginas, cada curva da viagem, cada experiência. Na capa, aquela velha pergunta: "Quem sou eu?"


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2:10 AM


Segunda-feira, Abril 04, 2005

SER OU NÃO SER? EIS A QUESTÃO

Você não pode ser de alguém se não for primeiro de si mesma. Isso é o básico. Partindo daí acho complicado criar regras para relacionamentos e, principalmente, rotular as pessoas porque como diz uma amiga minha: "O mundo tá cheio de 'falsos fofos'.

Os falsos fofos são aqueles homens que são umas gracinhas e na primeira oportunidade revelam um lado cafajeste. Isso até rendeu uma brincadeira outro dia numa mesa de bar. Perguntamos a um rapaz amigo nosso:
- E você? É um falso fofo... um autêntico fofo...?

Antes dele pensar em responder, outro amigo veio e disse no lugar dele:
- Ele é um legítimo filho da puta.

Foi gargalhada geral.

Isso me lembra outra história. Um amigo, ex-rolo, chegou uma vez pra mim e me disse:

- Incrível como mulher só gosta de homem filho da puta e cafajeste!
- Meio relativo isso né? Às vezes um filho da puta pode ser fofo e ai vem uma surpresa boa.
- Não.... Ou o cara é filho da puta ou não é.
- Bem, que eu me lembre você é um fofo mas já deve ter sido filho da puta em algum momento. Eu mesma me lembro de um deles...
- É, você me convenceu.

Agora me diz:

O que é melhor? Um falso fofo ou um autêntico filho da puta? A ilusão ou a verdade?

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9:58 PM


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