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Domingo, Outubro 30, 2005

DIÁRIO TRISTE DE NICOLE ASSUSTADORA*

Aos melancólicos românticos de plantão, leiam e comentem.


Quarta, 26/02

Eu caminhei por um jardim que julgava belo e florido. Hoje descobri que não era um jardim qualquer, era um jardim assustador. E assim como Nicole, que abriu mão de sua alegria para não ver o sofrimento do seu amado, errei tentando acertar. Mas sofro, assim como ela, e aqui estou, assustada, em desespero, despencando do vigésimo andar. E eu não quero chegar ao chão. Mas não sei se isso será possível. Aqui começa a minha história. Uma história sem lógica e assustadora, assim como a vida. A minha vida.

Em uma semana eu era a parte feliz da sua vida. Hoje sou o que? Hoje não sou nada. Sou alguma gorda infeliz que não é digna de te dar amor e te dar carinho. Você disse que é jovem ainda e que merece ter uma mulher bonita ao seu lado. Semana passada eu era deslumbrante, irresistível. Agora sou o que? Agora não sou nada. Sou Nicole, assustada, caminhando sem rumo. Não em um jardim, mass numa selva de pedra. E depois de tanta coisa dita e de tanta coisa calada, guardada, como um segredo, que nem você mesmo conhece, você vem e me pergunta: "Como vai?"

Essa é uma pergunta que jamais deveria ter sido feita. Até porque você não queria saber a resposta. Ou será que queria, só para ter certeza que eu não era mais a mesma? Agora sou Nicole, assustada e sem rumo, caindo do vigésimo andar. Mas como você não tinha certeza? Você me empurrou. Deveria saber que a partir daquele momento, eu caia e caia... mas você me julgava forte e talvez me invejasse por isso. Talvez quisesse me ver fraca. Mas ainda não cheguei ao chão, não quero chegar. Eu não vou chegar. Vou sair voando. Que ironia! Você poderia imaginar que justo eu seria capaz de me sustentar no ar, olhando de andar em andar? Assim estou, descendo aos poucos, parando em cada janela, olhando do lado de fora para dentro do edifício que é a minha própria vida e tentando enxergar o que há lá dentro. Talvez no final eu até agradeça o empurrão. Talvez assim como Nicole tenha encontrado a felicidade em meio a tantas tragédias, eu posso encontrar também. E isso não quer dizer que eu não possa cair, que eu não possa chorar. Mas ainda não consegui chorar. Você secou as lágrimas que caiam sobre as rosas desse jardim.


Quinta, 27/02

Continuo flutuando, às vezes, sem acreditar muito no que aconteceu. Tento encontrar respostas. Quero falar, mas não tenho voz. Acho que o silêncio pode ser a solução. Mas vejo que você nem sabe o que fez. Você talvez sinta mas não sabe. Nenhuma palavra irá sair da minha boca mas aqui escrevo, aqui conto cada mágoa. Aqui descrevo a grande decepção que você me causou. E o mais curioso é que não falo de sentimentos de uma mulher por um homem. Falo da decepção entre pessoas, entre amigos. Antes de ser eu mesma, eu era uma amiga, era uma companheira, era alguém que fazia você sorrir. E agora o que eu sou? Agora eu sou Nicole. Uma Nicole sem Gaston, seu companheiro encontrado no meio da desesperança, após a tragédia. Sou a Nicole que se sacrifica em nome do amor. Aquela que sofre para não ver sofrer. Só que não quero sofrer em silêncio. Mas não tenho escolha.

Abri as portas da minha mente (aquela que tudo controla), da minha alma (aquela que você não acredita mais existir) e do meu coração (aquele que só bombeia sangue). Três chaves em uma só. Todas entregues a você. Sabe que por alguns instantes cheguei a acreditar que a culpada era eu? Depois vi que a minha culpa era ter visto em você o que tem de melhor. Só que esse melhor não era o principal e conheci seu lado pior. Seu lado fraco, frio e cruel. Ouvi da boca do diabo, do falso, do traidor, coisas que só você poderia me dizer. Mas você não disse porque não eram seus tais pensamentos, eram dele. Um fracassado incapaz de ver alguém feliz. Um frustrado que precisa de uma escada do lado pra se sentir bem, pra se sentir forte e vitorioso. E a cada movimento seu em busca do crescimento, lá está ele te enterrando em dúvidas, falando nas entrelinhas das pseudo-verdades que ele mesmo criou acerca de suas vidas.

Vocês não são almas irmãs, não são irmãos, não são sequer amigos. Vocês são vampiros que dependem da energia dos outros para se sentirem bem. A diferença entre os dois é que ele suga energia por prazer e você por necessidade. Lamentei muito por tudo que eu ouvi desse animal, desse imbecil, desse escroto. Mas lamentei muito mais o que eu ouvi de você. Ou o que não ouvi. Aquele dia esperava ouvir sua voz. Mas uma voz me dizendo frases felizes, esperançosas e otimistas. Você tinha passado horas felizes com o seu amor perfeito, sua herdeira. Mas a felicidade te incomoda. A melancolia te seduz. Você abandonou Deus porque não queria uma bengala. E o que você acha que esse a quem você chama de irmão é na sua vida? Ele é uma cadeira de rodas que te guia para onde quer. Já você é pra ele uma marionete. Você se lembra do que ele contou aquela noite? Da época em que ele não tinha dinheiro e de quantas mulheres ele perdeu por causa disso? De como elas não seguraram a onda dele? Pois é... como ele poderia aceitar que a sua marionete tivesse uma vida feliz? A vida que ele não teve, com as chances que nunca lhe deram. Ele é alguém que jamais entenderia ou aceitaria a felicidade de Gaston e Nicole. Jamais entenderia a felicidade de ninguém.


Segunda, 14/04

Às vezes tenho a sensação que ele me olha com pena. Quem já viu aquele olhar indefinido quando disse EU TE AMO a alguém e não obteve resposta sabe do que eu estou falando. O complicado é que honestamente não sei se é amor o que eu sinto. Sei que é algo forte, arrebatador... e inebriante. Às vezes me sinto como uma viciada, uma dependente do amor. Em outras, consigo manter a razão e equilibrar meu coração e minha mente. Talvez não seja ele que sinta pena de mim, talvez seja eu mesma. Acho que andei baixando demais a guarda, me revelando totalmente e o pior: ele agora tem certeza que eu não vivo sem ele. E isso nem é verdade. Essa minha natureza exagerada, de sentir de um jeito e chorar/sorrir de outro confudem a mim e aos outros. Essa minha vocação de acolher quem sofre, colocar no colo, dar amor, dar tudo.. dar até o que eu não tenho, deveria ser algo bom. Mas não é. Eu fico me sentindo péssima quando não vejo ele feliz. É quase como a minha obrigação diária: fazer brotar um sorriso no rosto dele. Mas por que me sinto tão responsável pela felicidade dos que me rodeiam?


Domingo, 20/04

Ontem tudo ficou muito claro pra mim. Eu preciso viver a minha dor. Preciso crescer com ela. Tenho que parar de anestesiar meus pensamentos e sentimentos.

Não estava chorando pelo fim do meu relacionamento com ele. Estava chorando pelo fim do meu casamento. Um choro que veio com alguns meses de atraso. Nem sei quantos porque bloqueei na minha mente a data exata da minha separação. Acho que porque meu casamento talvez tenha acabado muito antes. Mas a dor que eu senti ontem foi pela culpa que carrego de ter fracassado na minha tentativa de ter uma família. Chorei a minha dor, a dor do meu filho por estar crescendo longe do pai. E até mesmo a dor dele por estar longe do filho. Ele também queria uma família. Mas também fracassou.

Percebi também que meu último relacionamento deu errado porque nós dois tomamos caminhos opostos. Eu tentei ver nele alguém melhor do que ele era e ele tentou ver em mim alguém pior do que eu sou. Sei que ele não fez por mal e não sinto raiva dele. Sinto apenas tristeza. Sinto a perda. Sinto a saudade do que eu achei que ele fosse, da pessoa que eu criei para amar. Mas esse não existe.

Da mesma maneira ele vai sentir minha falta. Não da pessoa que ele criou para comparar com a sua ex-mulher. Essa que ele criou era pior do que a ex dele. Se ele tivesse certeza que eu era pior do que ela seria mais fácil perdoá-la e até mesmo voltar para ela e para a sua filha. Voltar para a sua família. O dia que ele descobrir que eu não era essa com tantos defeitos quanto a ex dele talvez ele sinta saudades. Saudades do que eu realmente sou e poderia ter sido pra ele. Mas isso é outra história. É uma história da qual eu não faço mais parte. História que talvez eu nunca tenha feito parte.

Minha meta agora é crescer. Aprender com os meus erros. Porque sei que errei e muito. E sei que devo me preocupar comigo agora e principalmente em me amar. Preciso aprender a dosar o meu amor pelos outros e aumentar o amor por mim mesma e pelo meu filho. As pessoas são egoístas, quem pode culpá-las? Eu talvez tenha que aprender a ser um pouco mais egoísta. Preciso mudar minha fórmula. Pelo visto ela não funciona mesmo.

Me sinto umma velha dentro das minhas próprias lembranças. Olho para os meus erros do passado e fico pensando que eu era tão nova, não tinha a menor idéia do que estava fazendo. Mas eu me achava tão madura, tão senhora das minhas ações. Mas não era. Eu era apenas uma garota precoce brincando de tentar ser feliz. E não fui. E não sou. Talvez nunca serei. Mas isso não importa. Eu preciso aprender a ficar bem. A não me anestesiar. Preciso aprender a parar de maximizar pequenos prazeres e minimizar grandes dores.

Tenho dado o peso errado as coisas. Quando conheço uma pessoa, vejo que ela tem 90% de coisas "ruins" e 10% de coisas "boas" e acho que tenho o poder de transformar aqueles 10% em 100%. E acabo sempre criando monstros. Vejo essas pessoas melhorarem, desabrocharem e crescerem. E quando isso acontece não existe uma recompensa, uma gratidão. Só existe cobrança. Como se tudo que eu fizesse fosse pouco ou não fosse nada demais. Mas talvez a culpa não esteja neles, talvez a culpa esteja em mim.

Não tenho a pretensão de achar que nunca mais vou errar. Só não quero mais repetir velhos erros. Não quero mais ser vista como uma louca para minha família nem como uma pessoa bem resolvida pelos estranhos que só me conhecem superficialmente. Quero fazer cara feia quando estiver de mau humor, quero sorrir apenas quando eu tiver motivos pra isso. Quero ser eu mesma. Mas ainda não sei quem eu sou. Mas será que alguém sabe? Será que alguém se conhece de verdade?

Não quero mais gotas d´água. Quero ser uma tempestade. Quero ser uma onda gigante como a que aparece nos meus sonhos. Ainda não sei o que isso significa. Estou tentando descobrir. Estou tentando me descobrir. E é difícil. É assustador. Tão assustador quanto o medo que senti ao ver essa onda. Mas essa dor vai passar. Tudo passa... Tudo passará...


Sexta, 24/10

Te esperar não sei
Ma te perder já é
Não sei mais do ontem
que dirá do amanhã
Mas hoje posso dizer
Que você não vai nem vem
Você já era
Você já foi
Foi meu grande amor
Mas não mereceu
E ainda vai sentir
O que perdeu
O que ganhou
Não te sufoco mais
Nem a mim também
Hoje quero ser feliz
você já me fez assim
Mas não faz mais
Só me faz pensar
Que a vida é sem sentido
De tantos caminhos
Que podemos seguir
Hoje tento apenas existir
E te agradeço por me amar
E por me fazer chorar
E hoje poder sorrir
Hoje sei que sou livre
E você?


Sexta, 31/10

Mais um texto sem pé nem cabeça
Mais devaneios de uma nicole empolada
Inchada de alergia e lágrimas
Perdida na sua própria desgraça
Subemersa naquilo que ela chama de amor
Mas nem sabe o que é certo
Nem desconfia se é errado

Gastão quer uma nicole boazinha
Que náo cobre nem faça manha
Nicole quer apenas um colo
Quer ser amada e respeitada
Mas Gastão não quer ir além
Dos limites que diariamente ele altera

Como respeitar a fronteira desse homem?
Como dar o amor que ele espera sem sufocá-lo
Nicole não consegue se equilibrar dentre seus minutos
Oscilantes de amor e de 'ódio
De paixão e ojeriza
Nicole só quer seu Gastão

Que preço terá que pagar pra conseguir o que quer?
E o que Nicole quer?
E o que Gastão quer?
Quem é Gastão?
Quem é Nicole?

Eles falam duas línguas distintas
Intraduzíveis, sem tecla SAP
Só mesmo seus corpos quando se encontram
São capazes de conjugar o mesmo verbo com
Todas as suas variações sem ruído ou má interpretação

Mas isso é fútil... isso é frívolo... isso é menor
Assim nos ensinou nossas avós
O verdadeiro amor é o que fala sem palavras
É o que sobrevive a tudo é o que cala e comemora
O amigo, o irmão, o amante... o companheiro
De todo instante

Mas ele tem trauma.... ele é um espírito livre
E o que é a liberdade?
Já não sei... Ele foge de mim por se sentir sufocado
Se sentir desrespeitado, alvejado em tudo que lhe é grato
Me chama de louca, de descontrolada, de desalmada.
Meus olhos não vêem assim, meu corpo treme
Minha boca cala mas volta a cuspir
Tristezas, palavras desesperadas, gritos silenciosos
Só quero amor, só quero seu amor

Alguns dizem seja fria
Alguns dizem seja má
Outros falam seja maquiavélica
Outros implesmente dizem: vá e não volte mais\

Não sei que caminho seguir
Talvez seja mesmo louca de amor
Preciso viver isso até o fim
Nem que seja pra descobrir meu valor

Ele vive preso em seus próprios medos
Eu vivo presa em minha própria dor


Domingo, 21/03

Nicole está viva. Caiu, finalmente, do prédio. Mas como é masoquista entrou pela portaria subiu novamente até o andar mais alto e dessa vez não foi empurrada. Se atirou em queda livre. E aqui está ela novamente, despencando e repassando cada momento de sua vida em sua mente. Tentando enxergar a si mesma no vidro. Tentando enxergar a si mesma no mundo. Mas ela não consegue. Nada vê. Nada existe. Só a dor. Quantas quedas serão necessárias para Nicole aceitar o que no fundo já sabe, o que todos conhecem e zombam pelas suas costas?

Seios novos, cintura afinada e o amor que não vem. Só migalhas. A dieta pelo visto não deve ser só para o bem do corpo.
A alma deve estar precisando mesmo emagrecer. Daí as migalhas ficam mais fáceis de serem compreendidas. Só a digestão que continua sempre complicada.

Amor servido aos pedaços, sem respeitar horários nem mesmo a fome. Aquela mesma sensação de ser obrigada a comer beterraba, misturada no arroz, porque dizem que faz bem. E você engole, apesar de detestar beterraba. Só que dessa vez sem copo com água.

Dor sem anestesia. Dor pela dor. Sofrimento sem lógica. Lamúrias doentias. Louca! Vá viver dentro da normalidade. Mas alguém pode, por favor, me explicar o que é isso?


Quinta, 15/04

É estranho olhar pra ele todos os dias
Porque não vem um sentimento
Vem um nada, vem um vazio
Aquela estranha sensação
Que não é ódio nem amor
É apenas uma vaga lembrança
Quase um deja vu

Ele se tornou um estranho
Talvez já o fosse
Porque cada vez que tento lembrar
Do que aconteceu
Não reconheço ali o meu amor
Nem um rosto conhecido
Apenas um estranho
Alguém que me odiava

Não ficou lágrima nem sorriso
Ficou somente esse vazio
Esse nada no meu peito
E as lembranças turvas
De algo que parece jamais ter existido
Desse alguém que eu nunca conheci
Um amor sem começo e com fim.


Sábado, 29/01

Hoje me lembrei deesse diário... Já tem dois anos. Passou rápido e passou devagar. Parece uma eternidade mas ao mesmo tempo foi tão rápido. Vivemos tudo até o fim. Não foi? Até os sonhos românticos que você não acredita partilhamos em alguns momentos. Fomos uma família, fomos um casal, fomos cúmplice, amigos, amantes... e hoje somos nada. Ainda dói. E como eu disse uma vez vou morrer sem ter certeza do que foi. Do que vivemos. Só por hoje eu vou conseguir viver sem você.


Domingo, 31/10
Tudo já foi dito. Só precisamos esperar o tempo agir.
Aí você me diz: "O tempo não age".

Mas eu desisti.

________________:::

* Essa é uma história real. Qualquer semelhança com a ficção será mera coincidência.
** Os nomes Nicole e Gaston foram inspirados no livro Jardins Assustadores.

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9:52 PM




CLOSER

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new


The Blower's Daughter, Damien Rice


::: Se é que é possível olhar pro lado, voar mais alto, ir além, sentir, sonhar, querer, sentir mais perto apesar de tão longe... Amar alguém mais do que te amei?

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3:47 PM


Sexta-feira, Outubro 28, 2005

EU RECOMENDO

Teste das Cores é um instrumento de avaliação de personalidade que consiste em obter informações sobre a personalidade mediante suas preferências e rejeições à cores. Esta avaliação é situacional, portanto o resultado dependerá exclusivamente das suas opções, seja sincero para que o resultado esteja de acordo com a sua situação real.



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9:31 PM


Quinta-feira, Outubro 27, 2005

TARDE DE OUTUBRO

estou
diferente
ultimamente
alegre
radiante
delirante
onipresente

aliás... esquece! ;)

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2:42 PM


Sexta-feira, Outubro 21, 2005

KILL BIA - Vol. 35




Alguns dizem que ele foi empurrado do alto de um edifício:




Outros dizem que ele foi queimado vivo e o extintor de incêndio por algum motivo sinistro não funcionou:




Mas a verdade é que Bia pressentiu o seu fim. Escreveu um texto poucos dias antes da sua morte onde narrava suas suspeitas de que seu cão Nicolau Slovenko tinha vontade de enterrá-lo para não ter que dividí-lo com mais ninguém. Cão submisso que é chegou a se vestir de Hello Kitty e praticar o tema do último livro de Biajoni para agradar o seu dono.




Mas na manhã de hoje, Nicolau o surpreendeu na cama com aquela maldita gata. Num ato de fúria, inspirado pelo clásico de Tarantino, pegou sua Hatori Hanzo e cortou ao meio a Hello Kitty.




E depois, num momento de extremo masoquismo, enterrou seu dono. Vivo.

Eu ainda nào consigo acreditar que ELE se foi.

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9:29 PM


Quarta-feira, Outubro 19, 2005

DEIXA SOLTO, DOUTOR!
por Marcello Senise, especialmente para o Kit Básico da Mulher Moderna

Desculpem, senhores editores das revistas masculinas, mas não quero saber de conselhos para se alcançar um corpo malhadão. A barriga tábua-de-tanque é dom de quem tem, não insistam em torná-la item obrigatório para ser homem nestes tempos. Não capitularemos ao ridículo. Muito menos peçam, como vi numa revista esta semana, para se perder a vergonha de tratar com os amigos sobre os cremes que estamos carregando escondidos na maleta, como se eu e o Dapieve admitíssemos carregar outra coisa conosco que não um volume qualquer do Bukowski, um canivete suíço e o nosso inseparável óculos escuros.

Mudamos, nem sempre por iniciativa própria, mas vamos com calma. Temos um Zé do Boné a zelar. Ainda não será desta vez que receberemos de vocês, Moisés dos aquários, a tábua com as dez melhores cantadas a se dar numa mulher ou como abrir com estilo contemporâneo a porta de um single bar. Temos nossas próprias manhas. Relaxem.

São muitas revistas dizendo que tipo de flor entregar, o que cozinhar para ela no primeiro encontro (esqueça o amendoim, deixa cascas nos dentes). Dos conselhos de homem que tenho ouvido, prefiro seguir exclusivamente a sabedoria do flanelinha ? "Deixa solto, doutor". É o que tenho feito. Se o mocassim colorido combina com jeans customizado? Por favor, senhores.

Eu sou do tempo em que o exercício da masculinidade plena era atividade simples, algo que precisava como apêndice estético apenas do apoio de um bom pente Flamengo e, pronto? deixa a vida me levar. Milhões de homens passaram felizes suas existências balizados por uma única filosofia: "Dura lex, sed lex, no cabelo só Gumex". Infelizmente, já era. Complicou. Tenho visto cada vez mais revistas especializadas em dizer como o homem, se gordo, deve se vestir de preto para anular as adiposidades ao redor da barriga, e, se de cabelos finos, como torná-los mais cheios com o xampu de ovo transgênico.

Ora, senhores editores dessa nova tendência das bancas, me poupem os poros. Acabei de limpá-los com o Clay Mask da Zirh. É uma loção relaxante, mas não o suficiente para me obnubilar a razão.

Seria reduzir demais o espectro de uma revista masculina deixá-la em eterno rodízio pelo corpo das deusas nuas e piadas de loura. Nada contra ampliar a pauta. Mas eis que se volta contra o macho, este que ainda há pouco ria da "Nova" e da "Cláudia" por estabelecerem para suas leitoras a obrigatoriedade de a cada estação do ano trocarem o tamanho dos seios? Eis que se volta contra o macho a mesma ditadura. Ei, garotos, agora depilem os pêlos do peito.

Leio nessas revistas que ficou absolutamente impossível continuar homem no século XXI sem ter feito, por exemplo, um curso de vinho e saber a temperatura ideal de servi-lo. Não tenho a mínima idéia de que uva é feito o branco ? e não arvoro aqui qualquer orgulho especial pela ignorância. Só quero ser dispensado, como até ontem, da súbita obrigatoriedade de freqüentar esse vestibular cafona para ganhar inclusão sexual.

(Repara só: como são de safra triste os senhores que, treinados a dispensar com elegância o cangote da moças, tentam seduzir cheirando a rolha.)

As revistas masculinas, quase todas editadas por mulheres, estão ensinando o homem a aplacar a testosterona, suavizar o instinto e trabalhar a pegada de jeito menos extravagante. Querem-no sensível e ouvinte do que elas têm a dizer. Sejam românticos, rapazes, liguem no dia seguinte. É o contrário das mensais femininas, que obrigaram a mulherada a um papel mais agressivo. Recuperem o tempo perdido, tigresas, caiam matando, guerreiras. Querem-nas turbinadas e assumindo o controle da situação. Como são infelizes homens e mulheres que pautam suas vidas pelas pautas dos editores.

Gerações inteiras de fortões achavam que bastava apertar um punho contra o outro, o método Atlas da Força Aérea Canadense, e elas se renderiam. Podia até ser, mas só até anteontem. Acabei de ler numa dessas revistas, R$ 6,50 nas bancas: excesso de músculos cheira a falta de masculinidade. Elas detestam marombados. Pior: mulheres gostariam que seus amigos gays fossem héteros, pois estão num momento em que cultuam machos sensíveis. Não aconselho meus pares a correrem atrás. Quando você, para entrar no perfil da moda, estiver acabando de ler toda a poesia de Bandeira, é bem provável que elas já tenham sido convocadas pela "Nova" e a "Cláudia" a preferirem o Alexandre Frota.

Já soubemos de tudo, hoje somos convencidos pelos sabichões da press que não passamos de uns pobres coitados ignorantes das coisas da vida, compradores de revistas em busca de dicas espertas. Que roupa se deve usar para agradar a uma mulher no primeiro encontro? Cuidado para não estar mais perfumado do que ela. Uma dessas publicações, que tenta ensinar o homem a se comportar segundo os novos valores, aponta esta semana 50 (!) coisas sobre elas que ele, o papai sabe-tudo na televisão de outrora, não sabe mais. Aqueles beijos que levavam nas orelhas e pareciam se derreter todas?

Pois então. Depois de anos conformadas em se deixarem lambuzar, elas tomaram coragem para dizer. De-tes-tam. Inventem outra, rapazes!

Conheci mulheres, vítimas da opressão editorial, que começaram a semana com as unhas azuis e sexta-feira, quando saiu nova safra de revistas, precisaram trocar para a misturinha. Outras, sexualmente tímidas, foram convencidas de que estavam fora de seu tempo e convocadas a colocar fogo no colchão, ou, quem sabe, na própria mesa do chefe. Os homens são as novas vítimas. Flagrados no contrapé, no momento em que boa parte deles ainda emula o Brucutu e puxa a Hula pelo cabelo nas boates, eles piscam inseguros diante das novas ordens. Revelem suas emoções, rapazes, mas em seguida corram ao dermatologista e providenciem um botox básico para aliviar as marcas de tanta expressão de carinho, amor e compreensão.

Caçar javali ? Santo Asterix, socorrei! ? Era bem mais fácil!!!


* Marcello Senise é sociólogo e Secretário Geral do INIJUD/Brasil ¿ Instituto Internacional da Juventude para o Desenvolvimento. Também é autor dos artigos "Ser ou não ser de ninguém" e "Homem perfeito".

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9:31 PM


Segunda-feira, Outubro 17, 2005

MEU NOME É MULHER*

E Deus criou o homem. E do mesmo pó fez a mulher à sua imagem e semelhança. Seu nome era Lilith. Seu destino era ser a companheira de Adão e seguir os desígnios de Deus.

Adão se deitou sobre Lilith para fecundá-la e procriar. Ela se recusou e disse: ¿Se fui feita do mesmo pó, se sou igual a ti Adão, por que devo ficar por baixo?¿ Em seguida, fugiu do paraíso e foi para o Mar Vermelho onde se tornou a noiva de Samael, o rei dos demônios. E assim surgiu o mito de Lilith. A lua negra, a vampira, a sereia...



Lilith é associada à figura da mulher avassaladora, rebelde e sedutora.


Com a fuga de Lilith, Deus então criou Eva da costela de Adão para ser sua mulher. A submissa, bela e dependente mulher idealizada por Deus para Adão. Eva era uma parte de Adão, portanto lhe pertencia e devia a ele obediência. A virgem, a pura, a santa...



Eva é associada à figura
da mulher obediente,
submissa e dependente.


A história de Lilith não existe na Bíblia. Surge apenas em livros da tradição cabalística. Historiadores religiosos especulam que Lilith foi retirada do livro do Gênesis para tentar apagar essa imagem da mulher incorreta.

Eva, como todos sabem, provou do fruto proibido contrariando as ordems do Criador. Não só provou como levou a maçã e deu a seu marido Adão que a mordeu. Eva seduzida pela serpente seduz Adão e ambos pecam. O castigo dos dois foi a expulsão do paraíso e a perda da imortalidade.




Seja Lilith, seja Eva, fica inegável a força feminina e seu poder de persuasão sobre os homens. Curioso é ver como é temida a mulher cujo perfil se aproxima do mito de Lilith. Temida e desejada.

Eva, a submissa, representa o ideal masculino de mulher obediente, que cala e permite mas com seu encanto discreto seduz e corrompe, faz pecar.

Nos dois mitos vemos a culpa do sofrimento masculino associado à mulher. Pobre homem que apenas quer cumprir seu papel de procriador, de forte, de senhor do mundo mas falha, erra e peca, por culpaa da mulher.

Quem já não ouviu os seguintes comentários?
"Essa é uma mulher que levanta um homem."
"Coitado, aquela mulher foi a sua ruína."

Tantos rótulos, tantas cobranças... Seria a mulher tão forte? Tão poderosa? Seria o homem tão fraco? Tão suscetível a influência feminina?

Prefiro acreditar que não existem fortes e fracos, culpados e inocentes ou certos e errados. Se existe um pecado original é chegada a hora do perdão. Somos todos humanos buscando a felicidade. Podemos até não voltar para o paraíso mas não precisamos fazer de nossas vidas um inferno.

A guerra dos sexos é sem sentido assim como todas as guerras e "Deus está do lado de quem vai vencer". Por isso, hasteei uma bandeira branca na porta do meu coração e joguei as maçãs na lixeira.

Não quero ser Lilith nem Eva. Não quero ficar nem sobre nem sob e, sim, ao lado de um homem. Não quero ser sua alma gêmea nem ser a sua metade. Sou inteira, sou mulher, sou humana. Muito prazer!

* Post publicado em 1º de maio de 2005

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10:48 PM


Quinta-feira, Outubro 13, 2005

HAJA PACIÊNCIA

Das virtudes que exiastem no mundo temos que valorizar a paciência...

...para ouvir nossas mães dizerem que nem tudo é do jeito que a gente quer e mesmo assim insistir em contar histórias com finais felizes.

...para insistir nos velhos sonhos e coragem para recomeçar a sonhar

...para pensar na pessoa que você gosta e querer estar perto e simplesmente sorrir por saber que ele existe

... para sorrir para o mundo quando tudo que você quer é sentar e chorar

...para aturar pessoas reclamando de suas próprias vidas e não conseguirem enxergar o quanto são felizes e isso me inclui.

...para tentar só por hoje não ser impulsiva e meter os pés pelas mãos.

...para saber a hora exata de se deixar levar pelos impulsos pra não deixar de viver um daqueles momentos únicos que podem nunca mais voltar.

...para compreender que a vida é feita de contradições e aceitar que, sim, é enlouquecedor lidar com elas.

...para ser paciente e acreditar que todos os dias podemos mudar as nossas vidas ou não.

Post originalmente publicado no dia 22 de outubro de 2004

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3:29 PM


Domingo, Outubro 09, 2005

FRASE DA SEMANA - VIA ORKUT

"Um minuto a mais com a pessoa errada é um minuto a menos com a pessoa certa."

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9:50 PM


Quinta-feira, Outubro 06, 2005

PAREM O MUNDO...
...que eu quero subir.

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1:39 AM


Quarta-feira, Outubro 05, 2005

HORS CONCOURS: O MELHOR TPCG* DO SÉCULO

MULHERES IMPERFEITAS**
por Rafael Galvão


Longe de mim sair por aí dizendo que o importante é a beleza interior. Eu sou redator, não sou decorador de interiores.

Por isso uma mulher bonita, para mim, é o ápice da criação divina. Quando o diabo tentava Jó, quando o diabo dizia que Deus fez isso e aquilo de ruim, Jó poderia ter respondido: "É, mas fez a Isabel Fillardis também". E então o diabo sumiria numa nuvem de enxofre e Deus poderia parar de fazer aquela sacanagem com ele.

Confesso: a beleza de uma mulher é a primeira coisa que olho. É a segunda e a terceira, também. Dependendo da mulher, pode ser a quarta. E a última.

Mas a beleza é variada. Quando me perguntam qual o tipo de mulher de que gosto, eu nunca sei responder. Não sei porque essa pergunta não tem resposta. A beleza está em várias coisas: num olho, num olhar, numa boca, na curva das costas, no jeito como ela se senta e cruza as pernas, nas mãos -- é, e nos peitos e na bunda também.

Mas sei qual o tipo de mulher me atrai menos: aquela perfeita, em que você não consegue achar um só defeito.

Tem coisa menos sexy do que uma mulher perfeita?

Uma mulher perfeita parece feita de plástico, esculpida por um artista de talento. É obra humana, não há nada de divino nela, porque Deus, se existe, sabe das coisas e não se deixa cair nessas armadilhas de perfeição. Sua beleza é tão estrondosa que não deixa espaço para mais nada, sequer para a admiração, quanto mais para aquela sensação de frio na barriga, aumento dos batimentos cardíacos e uma quase incontrolável vontade de pegar.

Mulheres perfeitas reforçam minha crença na beleza, sim, e nada mais. Que bom que elas existem. Mas não é com elas que que sonho à noite. É como se essas mulheres esculpidas em mármore não ofegassem, como se seus cabelos não tivessem perfume, como se sua pele não pudesse ficar marcada pelas minhas mãos.

Olho para uma mulher perfeita como olho para um quadro de Renoir: lindo, maravilhoso, ficaria bem na minha parede. Mas para aquela mulher perfeita que não gosta de sua bunda, ou se acha acima ou abaixo do peso, os pensamentos são outros; certamente menos nobres -- ou talvez mais -- que a simples apreciação das Belas Artes.

Mas talvez tudo isso seja só preconceito. Graças a Deus, nunca conheci uma mulher perfeita. Todas elas são deliciosamente imperfeitas: têm nariz arrebitado ou grande demais, seus seios não são exatamente o que elas sonharam, reclamam da celulite e da barriga que não é dura como uma tábua.

Talvez, no fundo, elas saibam que nada disso importa tanto. Talvez saibam que é justamente isso que faz a sua beleza: elas são reais. São de verdade, parecem de verdade. Mulheres imperfeitas são possíveis.


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*Texto Pra Comer Gente
** Post originalmente publicado em 27 de março de 2004

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1:02 AM


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