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Domingo, Maio 21, 2006 MÚSICA DO MËS: U2 - Miracle Drug by Bono I want to trip inside your head Spend the day there¿ To hear the things you haven¿t said And see what you might see I want to hear you when you call Do you feel anything at all? I want to see your thoughts take shape And walk right out Freedom has a scent Like the top of a new born baby¿s head The songs are in your eyes I see them when you smile I¿ve seen enough I¿m not giving up On a miracle drug Of science and the human heart There is no limit There is no failure here sweetheart Just when you quit¿ I am you and you are mine Love makes nonsense of space And time¿ will disappear Love and logic keep us clear Reason is on our side, love¿ The songs are in your eyes I see them when you smile I¿ve had enough of romantic love I¿d give it up, yeah, I¿d give it up For a miracle, a miracle drug, a miracle drug God I need your help tonight Beneath the noise Below the din I hear your voice It¿s whispering In science and in medicine "I was a stranger You took me in¿ The songs are in your eyes I see them when you smile I¿ve had enough of romantic love I¿d give it up, yeah, I¿d give it up For a miracle, miracle drug Miracle, miracle drug | Ou basicamente... 6:03 PM Terça-feira, Maio 16, 2006 TEORIA DOS FILHOTES DA DITADURA, PARTE III: COM A MINHA MULHER, NÃO! Agora vem a parte complicada. O mal que aflige principalmente as mulheres nos dias de hoje: relacionamento. Voltamos aos nossos avós. As mulheres casavam virgens, claro. O sexo não era mais feito através de um orifício no lençol mas nem de longe a mulher pensava no sexo com alguma finalidade além da reprodução. Nessa época não existia pílula anti-concepcional portanto era "transar" e engravidar. E pobre da mulher que não desse a seu marido o herdeiro tão esperado. Pobre dela porque ninguém cogitava a possibilidade do homem ter algum problema. O marido tinha que ser pai, ser viril, o macho. E quando isso não acontecia a culpa, claro, era da mulher. Os homens tinham amantes ou se relacionavam sexualmente com prostitutas. Eles eram educados para terem uma mulher em casa e quantas quisesse na rua. As mulheres mal conheciam seu corpo e nunca ouviram falar de orgasmo e obviamente nunca tiveram um. Elas eram educadas para se manterem virgens para o casamento e serem fiéis e obedientes ao marido. Na época dos nossos pais, a maioria das mulheres continuavam a sonhar com seus príncipes encantados e se mantinham virgens para ele. Os homens já não se sentiam obrigados a casarem jovens, podiam curtir a liberdade da vida de solteiro até encontrar uma boa moça para constituir família. Algumas jovens se permitiam experimentar algo diferente, provavelmente por influência da liberação sexual. Essas eram rotuladas como vadias pela sociedade, eram expulsas de casa e provavelmente não conseguiam se casar depois. Uma frase comum daquela época era: - Certas coisas eu não posso fazer com a minha mulher. Certas coisas só se faz com prostitutas. Até aí tudo bem. Já conhecemos essa história. Mas o que isso tem a ver com os problemas nos relacionamentos nos dias de hoje? Fácil. A velha lacuna entre o que nossos pais aprenderam e o que nos ensinaram e a nova realidade. Nossos pais ensinaram aos meninos para aproveitarem ao máximo, saírem com quantas mulheres quiserem e quando achasse que era hora, casassem. Já para as meninas repetiram o velho discurso: esperem pelo príncipe encantado. Mas aí começam os problemas. Os homens, em geral, não querem casar tão cedo para aproveitar bem a vida. Eles nào tem mais porque ter pressa para encontrar um grande amor. Escolhem com calma e testando a maior variedade possível de candidatas ao cargo de esposa. Muitos resolvem se casar lá pelos 40. Já estão mais maduros, bem resolvidos profissionalmente e com uma situaçao ecônomica estável. Panorama perfeito para finalmente casar e ter filhos, claro que pra isso ele quase que se obriga a escolher uma mulher mais jovem. Já as mulheres por mais que não queiram se casar cedo, sabem que nào dá pra esperar a vida toda, já que depois dos 35 fica bem mais complicado ser mãe. Mas elas esperam (im)pacientemente. Que escolha? E pra realizar o projeto de vida traçado por seus pais desde a infância, acaba passando por situações lamentáveis de sofrimento. Umas por desilusão e outras por solidão. Interessante é observar muitas delas dizendo o quanto querem ser mãe e quando questionadas do porque não terem com um namorado, rolo, amigo, vizinho ou qualquer coisa do gênero elas prontamente respondem: Não, eu quero casar. Quero uma família! É justo, muito justo. Mas é um quadro raro no cenário atual. Outro dia vi um filme interessante sobre isso. Um mulher com seus 30 e poucos anos, totalmente enlouquecida para ter um filho. Afinal de contas, suas irmas e primas já procriaram e sua mãe insiste em lembrá-la que só falta ela. Depois de inúmeras desilusões amorosas ela opta por uma produção independente. Boa parte das mulheres já ficaria chocada nesse ponto e até mudaria de canal. Ela sai em busca de candidatos com bons genes para ser o pai da criança, ou melhor, o fornecedor de espermatozóides para inseminá-la artificialmente depois da coleta do esperma na camisinha. Nossa, parece até ficção científica. Pois é... Continuando. Numa dessas, ela encontra um cara incrível, fofo, gente boa, simpático, bonito... E, como se nào bastasse, uma loucura na cama. Mas ela não podia dispesar de seu objetivo. Ela queria um filho, nào um namorado. Até que ela para com carinho e pensa: - Quem disse que eu quero ter um filho? Sei que é chato contar o fim do filme mas ela desiste do filho e fica curtindo o carinha bacana sem muitas pretensões do que vem depois. Apenas curtindo, manja? E agora eu pergunto: Quem disse que toda mulher tem que casar? Quem disse que toda mulher tem que ser mãe? Pode ser que a mesma mulher que aponta o dedo e chama a outra de encalhada é a que daria tudo por um fim de semana sozinha, sem marido para agradar e filhos para cuidar. É a que daria tudo para ter escolhido uma vida diferente. E por que não escolheu? Nossas avós e mães não puderam. Mas você pode. ::: Próxima parte: Quanto mais, melhor? | Ou basicamente... 9:26 PM Quarta-feira, Maio 10, 2006 SURTO Hoje acordei com a nítida sensação de que terminaria o dia trancada em um quarto escuro vestindo uma camisa-de-força. Nada muito diferente dos dias normais onde me sentir louca é algo trivial. Então qual a diferença de hoje para outros dias? Eu explico. A certeza de que os minutos estavam mais longos, absurdamente longos. Intermináveis. Tal qual um afogado que se debate ao tentar respirar com o pouco de oxigênio armazenado antes do mergulho. Sem ter idéia que ao tentar sair da água alguém seguraria sua cabeça para que não pudesse novamente emergir. Submerso e consciente de que o tempo é o fator determinante da sua vida até os último segundos de últimos suspiros onde uma estranha lucidez revela que o tempo é o fator determinante da sua morte. Mas não estou na água nem no espaço. Estou no deserto. O deserto do real. E acredite não existe nada mais enlouquecedor do que a realidade árida da verdade. Não a realidade de mentira que suportamos todos os dias, que encontramos em qualquer esquina. A real, batida, jogada e despejada na minha cara. Com um sorriso na boca, claro. No deserto não existem lábios sedentos de palavras carinhosas ou elogios sutis. Lá existe apenas a verdade, vestida e bem passada, torrada no calor do inferno que é pensar e existir enquanto caminhar pelo sol escaldante em busca de um oásis. Alguém me disse que tem sempre um oásis no deserto. Ah, era mentira! Claro. Agora tudo faz sentido: não existe sentido nenhum. Mas já são seis horas da tarde e ainda estou aqui. Ainda faltam algumas longas horas para o fim da noite e se tudo der certo eu não vou ver nenhuma miragem. Miragens são delírios provocados por uma mente cansada e quem delira é louco. E eu definitivamente não ficaria bem numa camisa-de-força. | Ou basicamente... 6:13 PM Terça-feira, Maio 02, 2006 REVERÊNCIA AO DESTINO Carlos Drummond de Andrade Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá. Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz. Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação. Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer. Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado. Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais. Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar. Difícil é mentir para o nosso coração. Fácil é ver o que queremos enxergar. Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil. Fácil é dizer "oi" ou "como vai?" Difícil é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas... Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa. Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama. Fácil é ouvir a música que toca. Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas. Fácil é ditar regras. Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros. Fácil é perguntar o que deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta. Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade. Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria. Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro. Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro. Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica. Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado. Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho. Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata. | Ou basicamente... 9:55 AM |
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