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Terça-feira, Junho 20, 2006 POST PRO INA* :::O Ina escreveu um post lindo no dia 12 de junho. E esse é o meu comentário. No dia 12 de junho eu estava assistindo a DOCE NOVEMBRO. Ja viu? Se não, assista. Vendo fiquei pensando... todos os meses podem ser novembro, todos os dias podem ser 12 de junho. Basta estar apaixonado pra fazer de qualquer data o dia ideal. Dá até pra parar o tempo e sustentar aquele momento, guardá-lo pra sempre. Só essa lembrança, me deixe ao menos essa, como diria Joel. Basta uma, fechar os olhos e Montauk estará lá. A felicidade dos apaixonados é mesmo um sorriso que brota no canto dos lábios e uma lágrima que cai no canto dos olhos. Só quem viveu, sabe chegar nesse lugar, sabe caminhar pela praia, deitar no gelo e dizer "Ok". Dizem que é irreversível, que o tempo destrói tudo e o que amedontra é essa sensação de que as lembranças vão se acabar com a distância e com o tempo. Mas o amor é indestrutível. Dizem até que ele é eterno, que o que muda são as pessoas. Será? Não importa. O que importa é não desistir de de se permitir sentir esse amor. E viver ele até a luz se acender e o THE END aparecer na telona. E como diria o poetinha: "E esquecer de tudo ao ver um novo amor...." Ou um novo filme. No cinema ou na tv, na sessão da tarde ou no corujão, vale até ficar na dúvida entre três no Intercine só não pode deixar de assistir e se emocionar. | Ou basicamente... 11:15 PM Segunda-feira, Junho 19, 2006 IN MEMORIAN Passei boa parte da minha vida sorrindo pro mundo, alegrando as pessoas. Volta e meia era fácil me ver dando gargalhadas, fazendo piadas por todos os cantos. Era uma espécie de personal clown para os amigos deprës ou nas rodas de papo. Eu era natural, espontânea, muito divertida de fato. Era o ombro amigo nas horas tristes, aquela que levantava a moral do grupo. Eventualmente, alguém me dizia, em meio a risadas: "Nossa, hoje você está radiante! Deve estar muito feliz mesmo!" E eu sorria, por fora. Apenas uma amiga tinha o dom de me ver por dentro. Nesses mesmos dias de alegria estampada no rosto ela era a única capaz de olhar pra mim e dizer: O que aconteceu? Por que você está assim? Ela me conhecia, de verdade. Sabia que a minha alegria em excesso era sempre sinônimo de uma tristeza profunda. Tristeza essa que eu só compartilhava com meus poemas adolescentes e precoces. Então nós tínhamos um trato, ou melhor, um pacto invísivel. Coisa de quem se gosta muito e se quer bem. Ela me enxergava por dentro e me permitia chorar quando estava triste. E eu retribuia fazendo minhas palhaçadas quando ela estivesse chorando. Porque ela não merecia chorar. Uma vez eu disse a ela: - Se vc não parar de chorar eu vou ter que sentar ao seu lado e chorar. E ela sempre acabava rindo. Há pouco menos de um mës, num domingo de sol na praia de Copacabana, seu pai jogava vôlei com os amigos e a família, como fazia durante anos. Ele sentiu uma dor no braço e poucas horas depois morreu do coração. Só recebi a notícia no dia seguinte pela voz de uma outra amiga de infäncia, com quem não falava há anos. Estava trabalhando na hora mas não me contive e chorei. Ele era um pai maravilhoso. E não era só pai da minha amiga e de seu irmão. Era um pai maravilhoso com todas as crianças que brincavam juntas naquele prédio. Boa parte das minhas lembranças boas de infäncia e adolescëncia incluem essa família e, em especial, esse homem incrível que ironicamente morreu do coração. Justo ele que era o dono do maior coração do mundo. Cheguei na missa de sétimo dia, olhei pra minha amiga chorando e naquele momento eu percebi o que significa de fato ficar adulta: eu não poderia mais fazë-la sorrir. Então só o que me restou foi ficar ao lado dela e chorar. * Em memória de Pedro Calcado | Ou basicamente... 1:42 AM |
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